Trecho da Ferrovia Norte-Sul (Foto Divulgação PPI.Gov.Br)
Nos trilhos

Plano Nacional das Ferrovias vai colocar de novo o Brasil nos trilhos?

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Muita expectativa foi gerada, no setor de transportes, com o lançamento do Plano Nacional de Ferrovias em junho, depois de ser gestado há vários meses no governo federal. Será que o Plano vai de fato representar um salto para o setor ferroviário no país, o único de dimensão continental em que este modal de transportes, mais barato, ecológico e seguro que outros, não foi impulsionado como deveria?

O Plano contempla investimentos de R$ 138 bilhões para viabilizar cinco grandes projetos ferroviários, somando 5 mil quilômetros de trilhos. São eles: Corredor Leste-Oeste, ligando por 2.400 km a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) com Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico); Prolongamento da Ferrovia Norte-Sul, por 477 km; Anel Ferroviário do Sudeste, com 300 km, de Vitória (ES) a Itaboraí (RJ); conclusão da Transnordestina, com 600 km; e Ferrogrão, com 933 km, de Sinop (MT) a Itaituba (PA).

Todos esses projetos implicam em muitos desafios, vamos impactos ambientais, sociais e econômicos, além de questões legais. Mas espera-se que o Plano Nacional das Ferrovias vá além, com a criação de condições objetivas para o fomento do modal no país.
O Brasil conta com pouco mais de 30 mil quilômetros de ferrovias, quase a mesma extensão verificada na década de 1920. É fundamental que o Plano também abranja pontos como os impactos das mudanças climáticas no sistema ferroviário, como erosões e deslizamentos decorrentes de eventos climáticos extremos. Com o AdaptaVias, o Ministério dos Transportes já realizou avaliação preliminar dos possíveis impactos das mudanças climáticas em 100 mil km de rodovias e ferrovias no país.

O Brasil está em décimo lugar no ranking mundial de malha ferroviária, atrás de Estados Unidos (250 mil quilômetros de extensão), China (mais de 100 mil, com muitos projetos em curso), Rússia (85 mil), Índia (65 mil), Canadá (50 mil), Alemanha (41 mil), Austrália (40 mil), Argentina (36 mil) e França (mais de 30 mil).

    A quase totalidade da malha ferroviária brasileira atual é destinada ao transporte de mercadorias, sobretudo minérios e grãos. Os trechos destinados ao transporte de passageiros somam 1.500 km, em duas ferrovias, a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) e a Estrada de Ferro Carajás (EFC). 

    Estão em desenvolvimento projetos de retomada do transporte de passageiros por trilhos, com destaque para o Trem Intercidades (TIC), entre São Paulo e Campinas. 

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